20/06/2018 às 17:05

Déficit do setor continua alto

divulgação

Produtos farmacêuticos são um dos itens mais importados pelo Brasil e acumulam sucessivos déficits na balança comercial brasileira. Nos primeiros quatro meses deste ano, o país adquiriu no mercado internacional U$S 2,12 bilhões em medicamentos. As exportações, de U$S 377,5 milhões, não foram suficientes para conter o saldo negativo de U$S 1,75 bilhão, no período - o terceiro item com maior déficit comercial até abril último, abaixo somente de máquinas e aparelhos elétricos e produtos químicos orgânicos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), responsável pelas estatísticas de comércio exterior.

Os valores das transações comerciais dão a dimensão do mercado brasileiro: no ano passado, o país gastou US$ 6,5 bilhões em compras de remédios e insumos farmacêuticos no mercado externo.Jã as exportações de medicamentos somaram USS 1,25 bilhão, e o déficit comercial atingiu USS 5,3 bilhões, em 2017.

“Tradicionalmente, temos déficit comercial. Nossas exportações de medicamentos são muito pequenas”, diz o presidente executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (lnterfarma), Pedro Bernardo. Pelas projeções da entidade, o resultado deverá ser negativo em cerca de U$S 5,4 bilhões em 2018, com importações perto dos USS 6,6 bilhões. A alta do câmbio, que encarece importações, e a crise da Argentina, importante mercado para medicamentos brasileiros, são fatores que jogam contra.

As indústrias farmacêuticas têm aumentado produção nos últimos anos, enfrentando desafios da baixa taxa de investimentos em pesquisa e desenvolvimento no BrasiL Segundo Bernardo, a demora de até 350 dias para aprovação de um pedido de pesquisa clínica no país, o dobro da média mundial, e os altos custos da inovação inibem a produção local.

O presidente do Sindicato da Indústria Farmacêutica do Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, acredita ser “um pouco de mito" o considerado déficit estrutural do setor. Ele relativiza e observa que as importações de farmacêuticos representam 4,3% do total importado pelo país, com compras concentradas em ingredientes ativos (insumos), provenientes da índia, China e Irlanda, importantes fornecedores mundiais. “Temos dependência de cerca de 90% de matérias-primas importadas.”

Embora em ritmo mais lento, cresceu o patamar das exportações de medicamentos, que, no início dos anos 2000, pouco passava de US$ 250 milhões por ano. As vendas externas superam US$ 1 bilhão, e exibem líderes como insulinas, antibióticos, vitaminas, vacinas. Do lado das importações, parte dos medicamentos de maior conteúdo tecnológico vem dos Estados Unidos e Europa, onde estão as matrizes das maiores empresas instaladas no Brasil.Já as exportações se destinam a países em desenvolvimento, sobretudo na América Latina. Mas Estados Unidos e Alemanha, principalmente, também importam medicamentos brasileiros, devido, em muitos casos, a operações do tipo intercompany.

Com grande variedade de produtos, o complexo industrial da saúde mostra o potencial do Brasil em vendas de equipamentos e materiais, onde um dos destaques é o segmento de odontologia, com exportações de US$ 87,4 milhões em 2017. Porém, no setor com maior número de itens, de equipamentos para hospitais, as exportações foram de USS 531,5 milhões em 2017, com alta de 15,5% sobre 2016. Mas é também um segmento grande importador, com US5 2,4 bilhões em 2017, e déficit comercia] de USS 1,9 bilhão.

Nos últimos cinco anos, o projeto Brazilian Health Devices (BHD), firmado entre a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), viabilizou exportações da ordem de USS 460 milhões em produtos para odontologia, ortopedia, cirurgias, incubadoras para bebês, equipamentos para fraturas e próteses, aparelhos de raio x, respiratórios de reanimação, entre outros.

A gerente de marketing internacional da Abimo, Clara Porto, diz que um dos focos do acordo com a Apex é a capacitação exportadora das empresas e a conquista de certificações internacionais (FDA, nos Estados Unidos, e CE, na Europa) para acesso a mercados. O processo de normatização é caro e demorado. “O Brasil não tem laboratórios de testes clínicos para todos os tipos de certificação, o que exige levar o bem brasileiro, via exportação temporária, para análises no exterior.”

Para Rafael Cavalcante, também da Abimo, o que se busca é a consolidação de exportações com visão no longo prazo. E isso vem ocorrendo: no ano passado, o setor exportou USS 741 milhões em equipamentos nos três principais segmentos: odontologia, laboratório e reabilitação. A expansão de vendas foi de 10,3% na comparação com 2016.

Embora os Estados Unidos sejam compradores, a América Latina concentra oito dos dez maiores importadores de equipamentos médicos fabricados no Brasil. A região é o destino, por exemplo, de 80% das exportações da Ortosíntese, de Jara- guá (SP), especializada em aparelhos de ortopedia. O executivo de contas internacionais da empresa, Roberto Ferreira Junior, estima crescimento de 30% nas vendas externas deste ano ante os US$5 milhões de 2017. “0 foco é a consolidação de clientes”, diz ele. Materiais de implantes e próteses são destaques na pauta.

Também a tradicional fabricante Fame, de São Caetano do Sul (SP), tem na América Latina seu principal mercado, onde a empresa mantém distribuidores fixos para sua linha de materiais hospitalares, afirma o diretor William Pesinato.

Uma das metas do presidente- executivo da Associação Brasileira de Produtos de Alta Tecnologia para a Saúde (Abimed), Carlos Goulart, é ampliar a presença do Brasil no mercado internacional. Com mais de dez mil itens, o setor de produtos médico-hospitalares movimenta mundialmente USS 350 bilhões por ano. O Brasil é o 15o maior importador mundial. Só em equipamentos por imagem, o país importou US$451 milhões em 2017; enquanto isso, exportou apenas USS 35 milhões nessa categoria de produtos. “As exportações brasileiras do setor estão abaixo do potencial e podem crescer.”

Fonte: https://www.interfarma.org.br/noticias/1672

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